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27/03/2014

CEM ( SEM ) ANOS, GUARANY Cyro Marcos da Silva

Há uns trinta anos , o cineasta Carlos Saura Atarés fez um filme com o título “Mamãe faz 100 anos.” Ali estava uma velha senhora, menos contente que desolada, constatando o quanto seus filhos, por ela criados e orientados, desviaram-se de seus ideais, cada qual seguindo seu rumo. Era também, à época, uma metáfora da Espanha que havia passado pelo regime franquista e padecia das consequências disto. Mas o que Guarani tem a ver com tudo isto? Guarani, nesta semana que vem, agora no dia 25 de março de 2014, faz cem anos. Nem cem anos de solidão, nem sem anos e anos de história. Em que isto nos concerne? Termos agora uma terra-mãe com cem anos de vida pela qual tem que responder pelos seus destinos, e que deve estar se perguntando por onde andam e foram seus filhos. E o balanço parece que não é ruim. Esta terra mãe viu filhos crescerem, produzirem, se multiplicarem e que, neste raro aniversário estão lhe prestando contas das suas andanças. Outros filhos esta mesma terra-mãe já engoliu, em tempo previsível ou mesmo prematuramente, mesmo porque seu nome antigo, Cemitério do Pomba, de vez em quando irrompe com sua força, deixando-nos todos bem abobalhados e estonteados, quando abre as portas pra enfiar sob suas asas, ou goela adentro, os filhos abatidos. Uns em pleno voo, outros já recolhidos ao ninho, esperando a convocação do chão daquele cemitério. Mas Guarani, enquanto mãe, – se banindo o lado pai – é isto mesmo: desejo incestuoso de reintegrar seu produto, convivendo com a mesma fome, voracidade e avidez com que Chronos, seu aliado, vai engolindo seus filhos. Mas Guarani não é só terra-mãe. Tem também seu lado de pai, seu lado de patres – pátria. E assim, tem ali sempre o simbolismo de uma bandeira hasteada, marcando a seus filhos o seu território. Esta pátria é a chance que cada qual teve de deixar pai e mãe e ir mundo afora, por este mundo de meu deus, caçar rumo e procurar sua turma. Neste rumo caçado, cada qual vem aqui agora, nesta mesa de aniversário, celebrar os 100 anos desta terra mãe-pai. Se são cem anos, são também sem anos, pois os rumos caçados são percorridos atemporalmente, sem folhinha ou calendário para ficar marcando dias e horas como se estivéssemos no cárcere. Deixo aqui então, meus cumprimentos a esta cidade onde nasci e vivi os tempos decisivos que marcaram os tempos que se seguiram. Foi sobre este chão e sob este céu, que conheci a vida, que aprendi um pouco sobre o morrer e o morro ( substantivo e verbo ) e o não saber que reveste a morte, que tateei o amor, que fui visitado e invadido pelo desejo. E isto, este tempo, não se conta nos dedos, isto é sem anos…. Mas é com o contável que vamos nos orientar para enviar a Guarani e a todos os guaranienses o abraço de parabéns: aos idosos, porque lá vão atrás destes cem e sem anos, ávidos ainda da vida e se orientando pelo já vivido e, aos jovens, para que saibam que, ficar sem anos ou chegar a 100 anos, é uma questão de visada, ou de vida avisada, quem sabe(?!) Como diz o fado português, cantado por Argentina Santos, Vida Vivida: “Meu Deus, como o tempo passa, dizemos de quando em quando afinal, o tempo fica, a gente é que vai passando. (https://www.youtube.com/watch?v=LIaQyOOO8RM )

Escrito por Guarani

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