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31/01/2014

NA RE-PARTI(R)-SÃO

_ O próximo!!! Já foi atendido? Pois não. Em que posso ajudar?

_ Num sei.

_ Como assim, num sabe… Mas se veio até aqui, é porque vai precisar de uma….

_ É que, sabe, moça, amanheci assim. Desaprendi a falar. Dessas coisas que fazem sumir as palavras da gente…coisas que vêm da cala’da noite.

_ Mas não está falando agora? Então não desaprendeu.

_ Fica alguma coisa, mas sem voto de fala. Fiquei assim, igual mei gripado, mei despalavrado. Coisa estranha, né? Dizem que acontece a cada rara lua estourada.

_ Uai, estranho mesmo. Tem idéia do que foi?

_ Não, moça, tô mei sem sofrimento pra ficar matutando. Tô preferino deixá escorre as mistura, sem interferir.

_ E acha bom a gente examinar?

_ Não, sem exame, sem muitas misuras. Sabe, acho que foi…

_ Hum….

_ Pensei em espinhela caída. Num é; porque tô firme de pé. Depois pensei em nervo turcido. Também num é; porque tô calmo. Intão, só pode ser…

– Quebranto?

_ Isso aí. Foi no que pensei. Como é que ocê também pensou nisso?

_ Aqui a gente vê muita coisa. E parece ser daqueles…

_ Sim, de quebrar o pranto! Pega? Que que dá isto?

_ Costuma ser, muitas vezes,  por causa de mal olhado…tem que ter muito cuidado. Tá doendo?

_ Não. Tá esquisito. Não dói, mas lembra que tá aí. O que que é bão pra isto?

_ Eles falam que é bom por o carvão no copo de  água. Não todo. Deixar umas brasas pro lado de fora, pra quando for preciso. Aí o carvão flutua e a gente lê as coisas no retorno dos fogos afogados. Falam também que é bom escrever…

_ Ah, …eu soube. Quando a gente fica despalavrado, deve ser bão mesmo, porque a gente, assim, desanuvia e empurra a atolação e ainda tenta amarrar as palavras desembestadas ou caladas, no moeirão das letras. Elas ficam menos perdidas.

_ O senhor vai ter que esperar um pouco prá ver no que isso vai dar.

– Num tô com tanta pressa assim. Só quero ver no que vai dar e depois eu falo no que deu. Se num sarar, monto num tronco firme e deixo o riozão me levar correnteza abaixo. Aí lavo nas águas outras. Mas sei nadar. Que que foi isto?

_ Ih, a luz apagou. Tá meio escuro até pra conversar.

– É mesmo. Vou andano.

– Marco a volta pra me dar notícia?

– Que sei?

Cyro

Escrito por Guarani

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